Quase 1.4 milhão de brasileiros deixariam de morrer nas próximas décadas, se o Brasil adotasse as políticas públicas da Suécia sobre os cigarros eletrônicos

Especialistas nacionais e internacionais em saúde se reuniram no dia 10 de Abril em Brasília, no evento batizado de Quit Like Sweden (Pare Como a Suécia), para discutir estratégias de combate ao tabagismo, com foco no caso de sucesso da Suécia, cuja abordagem está levando o país a ser o primeiro do mundo a ser considerado livre do fumo, com apenas 5% da população fumante.

Com apoio do DIRETA (Diretório de Informações para Redução dos Danos do Tabagismo), o evento apresentou um relatório que analisou o impacto no Brasil, caso as mesmas medidas adotadas na Suécia fossem aplicadas em nosso país. O número de vidas que poderiam ser salvas nas próximas décadas chegaria a quase 1,4 milhão.

O debate em torno da redução de danos do tabaco ganhou força no país no último ano, quando a Anvisa decidiu revisar a proibição de dispositivos eletrônicos para fumar, também conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes. A proibição da comercialização e importação desses produtos é vigente no país desde 2009 e após abrir uma nova consulta pública no final do ano passado, em que a maioria foi contra a proibição no país, a Anvisa marcou uma reunião que deve dar um novo parecer sobre o assunto para o próximo dia 17 de Abril.

Na conferência, a ativista anti-tabagismo Suely Castro lançou sua nova plataforma, que leva o nome do evento, Quit Like Sweden (Pare Como a Suécia), cujo objetivo é incentivar e capacitar países ao redor do mundo a seguir o sucesso da Suécia em se tornar livre de fumo. Suely declarou que “A Suécia alcançou essa conquista notável garantindo que alternativas mais seguras ao tabagismo sejam acessíveis, aceitáveis e financeiramente viáveis. O país, onde 49% dos homens costumavam fumar regularmente, praticamente erradicou esse produto mortal permitindo que seus fumantes mudassem para produtos que representam apenas uma fração dos riscos, como snus [tabaco sem fumaça tradicional] e alternativas livres de tabaco como vapes e sachês de nicotina.”

Suely continuou: “Os suecos estão colhendo os frutos da saúde com taxas significativamente mais baixas de casos de câncer e taxas de mortalidade em comparação com seus colegas europeus. Agora, o Quit Like Sweden amplificará essa mensagem globalmente, aproveitando a expertise e promovendo a colaboração entre as partes interessadas para ajudar os países a replicar a Experiência Sueca.”

A Suécia adotou uma abordagem progressiva e abrangente que combina medidas de cessação e prevenção sugeridas pela Organização Mundial da Saúde, agregando políticas que permitem aos fumantes escolherem alternativas ao tabagismo. Como resultado, a prevalência do tabagismo entre os suecos está prestes a cair abaixo de 5%, o nível oficialmente classificado como ‘livre de fumo’.

Castro, baseada em Londres, disse que foi motivada a lançar o QLS por seu pai, fumante pela vida toda e que mora na Bahia.

“Assim como os outros 22 milhões de fumantes no Brasil, meu pai foi privado dos ‘coletes salva-vidas’ dados aos suecos devido a barreiras regulatórias e resistência da sociedade em relação aos produtos alternativos de nicotina. Quit Like Sweden tem como objetivo capacitar indivíduos – aqui no Brasil e ao redor do mundo – a recuperar o controle sobre sua saúde.”

Alexandro Lucian, presidente do DIRETA, compartilhou em sua palestra, as experiências sobre os impactos da desinformação na redução de danos do tabagismo no Brasil: “A desinformação é mais perigosa que a ignorância e o termômetro que existe entre os consumidores é o medo. Há muita coisa sendo propagada fora de contexto e sem base científica, como a Evali, por exemplo. Outra coisa que precisa ficar clara é que os dispositivos eletrônicos para fumar não são uma pauta levantada pela indústria e sim pelos consumidores, que buscam uma maneira mais segura de consumir nicotina”, disse Lucian.

A Senadora Soraya Thronique (Podemos-MS), também presente, cumprimentou a realização do evento e disse que o Brasil precisa de iniciativas como essa para o fim do mercado ilegal que cresce no país. “A Anvisa proibiu a venda, mas não o consumo. O que acontece é que no Brasil você pode comprar isso em qualquer lugar graças ao mercado ilegal e todos os produtos chegam principalmente pelo meu estado, o Mato Grosso do Sul. Eu venho questionando todos que encontro. O que tem dentro? Ninguém consegue dizer o que tem dentro uma vez que o mercado não é regulado e não tenho a resposta. A gente precisa de uma regulamentação para obter essas respostas”.

Em paralelo à revisão da Anvisa, a senadora Soraya Thronique também apresentou o Projeto de Lei Nº 5008, atualmente em discussão no senado, que busca estabelecer regulamentações para a produção, importação, exportação, comercialização e consumo de cigarros eletrônicos em todo o território nacional.

Um dos painéis foi composto pelo Dr. Delon Human, ex-conselheiro de três diretores gerais da OMS e do Secretário-Geral da ONU, Dr. Anders Milton, ex-presidente da Associação Médica Mundial e ex-Secretário Geral da Associação Médica Sueca e a Prof. Dr. Erika Magalhães Suzigan, Coordenadora do Curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Os três discutiram as abordagens inovadoras na Redução do Consumo do Tabaco.

Dr. Anders Milton foi coautor da pesquisa e disse: “A Suécia está vencendo a guerra contra o tabagismo com uma abordagem abrangente ao controle do tabaco que complementa as medidas tradicionais de cessação e prevenção com um elemento adicionado de grande importância: dar aos fumantes a oportunidade de mudar para alternativas mais seguras. Ela estabeleceu um roteiro de políticas que deve ser tratado como um presente para a saúde pública global e, potencialmente, um dos maiores avanços na história no combate às doenças não transmissíveis (DNTs).”

Milton complementou: “É por isso que o QLS é tão importante. Ao espalhar a mensagem da Experiência Sueca para todos os cantos, muitos milhões de mortes prematuras – incluindo quase 1,4 milhão aqui no Brasil  – poderiam ser evitadas nas próximas quatro décadas.”

Além do painel que discutiu políticas públicas e acesso dos cidadãos a informações confiáveis, o evento ainda contou com outros dois debates e a exibição do documentário ‘How Sweden Quit Smoking’ (Como a Suécia deixou de fumar, em tradução livre).

Notas aos editores:

Quit Like Sweden é uma plataforma para pessoas que desejam erradicar o tabagismo. A taxa de tabagismo na Suécia, onde antes 49% da população masculina fumava regularmente, está prestes a cair abaixo de 5%, o nível considerado pela Organização Mundial da Saúde como oficialmente ‘livre do tabagismo”’. Quit Like Sweden visa encorajar outros países a replicar a Experiência Sueca usando medidas tradicionais de cessação e prevenção, ao mesmo tempo em que torna as alternativas ao tabagismo acessíveis, aceitáveis e financeiramente viáveis.

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